O investimento médio das empresas em inteligência artificial atingiu os 187 milhões de euros no terceiro trimestre deste ano, um aumento de 13% em relação aos 165 milhões de euros registados no início do primeiro trimestre, segundo dados avançados pela SAPO TeK. Apesar deste fluxo de capital, a capacidade de converter esta tecnologia em resultados financeiros concretos continua a ser um obstáculo para a grande maioria das organizações.
De acordo com o relatório Global AI Pulse Q3 2026 da KPMG, que ouviu mais de 2.000 líderes empresariais em 20 países, apenas 12% das empresas avaliam regularmente o valor gerado face aos custos da tecnologia. A discrepância entre o volume de investimento e a eficácia na sua monitorização levanta questões sobre a sustentabilidade das estratégias atuais.
Onde o investimento ganha mais força
A região EMEA, que engloba Portugal, destaca-se como o motor desta aceleração, registando um crescimento de 29% no investimento planeado, passando de 139 para 180 milhões de euros. Este valor supera significativamente o crescimento de 7% observado nas Américas, enquanto a região da Ásia-Pacífico mantém os níveis de despesa praticamente inalterados.
Rui Gonçalves, Partner Head of Technology Consulting da KPMG em Portugal, alerta que o risco para as empresas portuguesas não reside na escassez de investimento, mas na ausência de mecanismos que liguem o custo à eficiência e à capacidade de decisão. A maturidade tecnológica na região EMEA subiu para 56%, um crescimento de 16% desde o início do ano, aproximando-se dos níveis de implementação em escala observados noutras geografias.
Segurança e soberania como novas prioridades
A natureza do investimento também está a mudar. Enquanto o aumento da produtividade perdeu peso como objetivo principal, caindo de 42% para 37%, a cibersegurança, a confiança e a governação ganharam terreno na agenda das empresas. Atualmente, 86% das organizações estão a adaptar as suas estratégias de segurança para lidar com as novas ameaças trazidas pela IA.
A soberania tecnológica é outro ponto de tensão crescente, com 72% das empresas a manifestarem preocupações sobre o controlo dos modelos, dos dados e da propriedade intelectual. No entanto, apenas 21% possuem uma estratégia definida que abranja toda a organização. Para o mercado de TI Portugal, o desafio é claro: a transição de uma fase de experimentação para uma gestão rigorosa de resultados e riscos definirá quem consegue transformar o investimento em competitividade real.


