Um novo inquérito do Eurobarómetro, partilhado pela SAPO TeK, revela que 42% das pequenas e médias empresas e empresas de média capitalização na Europa já integram soluções de inteligência artificial e gestão algorítmica nas suas rotinas. Embora o número demonstre uma presença relevante da tecnologia, a utilização mantém-se, na maioria dos casos, num patamar limitado e experimental.
Quais são os principais obstáculos para as empresas?
Apesar da vontade de inovar, a implementação enfrenta barreiras financeiras e estruturais claras. De acordo com os dados da SAPO TeK, 50% das empresas apontam os elevados custos de investimento como o fator mais impeditivo. A incerteza jurídica, mencionada por 49% dos inquiridos, e a falta de conhecimentos especializados, com 48%, completam o topo dos desafios que travam uma adoção mais generalizada.
Onde a inteligência artificial está a ser aplicada?
A tecnologia concentra-se sobretudo na relação com o cliente. Segundo o inquérito, 47% das organizações utilizam IA no serviço e apoio ao cliente. A monitorização de produtividade e desempenho dos trabalhadores aparece logo a seguir, com 36% das respostas, enquanto a logística e a gestão de horários ocupam 30% das aplicações práticas. O papel da IA no apoio à decisão também é expressivo: 61% das empresas afirmam utilizá-la para este fim, embora 52% destas admitam que a tecnologia apenas sugere caminhos, deixando a decisão final nas mãos de humanos.
O impacto no emprego e o talento tech em Portugal
Há um otimismo quanto ao futuro do mercado de trabalho. Cerca de 75% das empresas inquiridas acreditam que a inteligência artificial vai melhorar a qualidade do emprego, com 16% a classificarem esta perspetiva como muito positiva. No entanto, a escassez de competências especializadas permanece um ponto crítico. Para o talento tech em Portugal e no Brasil, esta dinâmica de mercado sugere que a procura não será apenas por capacidade técnica pura, mas pela aptidão em integrar estas ferramentas em fluxos de trabalho reais onde a supervisão humana continua a ser o elemento de controlo. O que resta saber é como as empresas irão equilibrar o investimento necessário com a urgência de qualificar as suas equipas internas para lidar com estas exigências.


