Empresas cortam gastos com IA e privilegiam modelos mais baratos
O topo das empresas que mais investem em inteligência artificial reduziu os seus gastos por funcionário em 9,7% durante o mês de agosto, segundo dados do AI Index da Ramp, citados pela The Decoder. O levantamento indica que, embora a adoção da tecnologia continue a crescer, o ritmo desacelerou e o foco deslocou-se para alternativas financeiramente mais acessíveis.
Por que o investimento por funcionário está a cair?
O custo mediano por colaborador no grupo das empresas que mais gastam com IA situou-se nos 7.205 dólares em agosto. De acordo com a The Decoder, este recuo é parcialmente sazonal, uma vez que o período de férias de agosto reduz a atividade operacional de engenharia. Contudo, há uma mudança estrutural clara: os preços dos tokens caíram 41% desde março e as empresas estão a migrar ativamente para modelos standard, como o GPT-5.6 Terra e a série Claude Sonnet, em detrimento dos modelos de fronteira mais caros.
O volume de consumo de modelos como Opus, Fable e Sol caiu de 53% no início de agosto para 45% em setembro. Segundo a análise da The Decoder, a estratégia das empresas passou a ser a imposição de políticas internas que restringem o uso de modelos de fronteira, dado que as versões standard já satisfazem a maioria das necessidades operacionais a um custo significativamente inferior.
O papel dos modelos open-weight no mercado
Apesar da procura por opções mais baratas, o mercado não mostra uma migração significativa para alternativas de código aberto ou oriundas da China. Apenas 3,6% de todas as empresas monitorizadas pela plataforma utilizam modelos open-weight. A The Decoder sublinha que a adoção real pode ser ainda menor, visto que os dados são recolhidos através de plataformas de roteamento que também oferecem acesso a modelos fechados.
O cenário para os fornecedores de modelos é complexo. O crescimento do volume de utilização pode não ser suficiente para compensar a queda acentuada nos preços dos tokens. Resta saber como o mercado reagirá quando a Anthropic avançar com a sua oferta pública inicial, prevista para outubro, um movimento que poderá trazer maior clareza sobre a sustentabilidade financeira deste modelo de negócio.
