A contratação inicial numa startup define o futuro da empresa, mas a ascensão dos agentes de IA está a mudar esta dinâmica. Segundo a TechCrunch, fundadores e investidores discutem agora como delegar tarefas de engenharia, apoio ao cliente e operações a sistemas capazes de completar processos multietapa, em vez de recorrer exclusivamente a novos colaboradores. Esta mudança de paradigma será um dos focos da sessão 'Hiring When AI Is a Co-Founder' durante o evento Disrupt 2026, que decorre de 13 a 15 de outubro no Moscone West, em São Francisco.
A redefinição das equipas nas fases iniciais
O desafio para os fundadores, segundo a TechCrunch, é decidir o que deve permanecer sob responsabilidade humana e o que pode ser delegado. Josh Reeves, da Gusto, Michelle Johnson, da Insight Partners, e John Koelliker, da Leland, vão abordar como integrar agentes de IA sem comprometer a velocidade, a responsabilidade ou a cultura da empresa. A questão central deixa de ser quem contratar a seguir e passa a ser que trabalho precisa de ser feito e se um humano é a melhor forma de o executar. Nem tudo é otimismo aqui: há dilemas reais sobre quem verifica o trabalho dos agentes, quem toma a decisão final e o que acontece quando o sistema comete um erro.
As competências que os humanos devem manter
À medida que a tecnologia assume tarefas operacionais, a TechCrunch reporta que as competências exigidas aos primeiros colaboradores podem sofrer alterações significativas. O foco desloca-se para a capacidade de julgamento, a gestão de pessoas e máquinas, e a construção de relacionamentos. Michelle Johnson, que ajudou a escalar a Flock Safety, levanta uma questão pertinente: se os agentes de IA tratam da pesquisa de clientes e da análise de dados, em que se devem concentrar os membros humanos da equipa de vendas? A resposta não é óbvia, e a capacidade de desafiar estratégias falhas ou motivar equipas continua a ser uma necessidade humana que os sistemas ainda não conseguem replicar.
O evento conta com a participação de mais de 10.000 startups e investidores para debater estas mudanças. O que resta saber é como é que a estrutura organizacional destas empresas se vai adaptar na prática, quando a fronteira entre o que é feito por um colaborador e o que é executado por um agente se torna cada vez mais ténue.
